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Cadê a &%$$$*@&% da igreja????

Podem me chamar de herege, me excomungar, me mandar pra sessão de descarrego etc, mas aqueles símbolos do título equivalem a um palavrão, e bem feio.

Cadê a tal da igreja, que prega a felicidade, a riqueza, a conversão a um Cristo que tudo tem e tudo quer dar? Quem mora em São Paulo sabe do frio e da garoa incessante (além da chuva propriamente dita) que não dá trégua desde sexta-feira. Ontem foi um dia muito frio e hoje também, e enquanto nós, a “igreja”, nos aquecemos tomando um belo café ou chocolate quente, além daqueeeela refeição que, afinal, merecemos, dezenas de crianças (para não falar dos adultos) estão nesse exato momento passando fome e frio. Afinal, a culpa não é da igreja, é dessa cambada que não tem onde cair morto e ainda fica botando criança para sofrer no mundo. Mas tudo bem, como “igreja”, vamos orar por eles.

HIPÓCRITAS! MONSTROS! ASSASSINOS SILENCIOSOS! É isso que, como “igreja”, somos, pois a essa hora estamos louvando a Deus alegres e contentes nos cultos de terça-feira, não tendo olhos, ouvidos ou coração para nos colocar no lugar daqueles muitos que estão sofrendo nesse momento, não só os desalojados (que embora sofrendo ainda têm que ter cabeça para ir trabalhar no dia seguinte, senão podem perder o emprego e a situação ficar ainda pior, se é que isso é possível), mas todos os que há tempos estão nas ruas, bueiros, favelas, cortiços, abandonados pelo mundo. A igreja fala de salvação, mas sua salvação é apenas para os ricos e remediados. A igreja não vai evangelizar nas ruas, vai evangelizar nos lares, nos “cultos domésticos”, onde convidamos aqueles que têm uma vida igual ou parecida com a nossa, claro. Igreja desse jeito não precisa existir: melhor oficializar o “clube”, fechar a “igreja” e deixar de envergonhar o Evangelho.

Com sua hipocrisia e luta por seu próprio benefício, a “igreja” brasileira não salva, destrói vidas: torna ainda mais insensíveis os que já têm alguma propensão para o egoísmo, ao prometer-lhe todas as bênçãos de Deus em detrimento dos demais, e mata as esperanças daqueles que, com humildade, tentam se achegar a ela, mas são impedidos por conta de sua classe social. Dizer que a “igreja” não faz acepção de pessoas é ser ou muito inocente ou muito mentiroso.

A essa hora, essas famílias devem estar passando por mais uma tragédia. Se não bastasse seus poucos objetos jogados na rua, a chuva, o frio, a fome, a falta de um lugar para sequer descansar, ainda há a questão de estar chegando ao fim o prazo de 24 horas que a PM lhes deu para deixarem efetivamente o terreno. Mas isso não é um problema nosso, é?

Jesus só não volta hoje porque provavelmente não teria igreja nenhuma para levar consigo. Que possamos nos voltar a Ele enquanto houver tempo.

Esmagadora Minoria!

E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. (João 17:3)

É fácil ser honesto no mundo programado para a desonestidade? É fácil manter-se puro, num mundo poluído pela imoralidade e arrasado por filosofias existencialistas, que pregam e ensinam que tudo o que conta na vida é o “aqui e agora”?

A revista Vogue aumentou consideravelmente o número de seus leitores depois de uma grande campanha publicitária que declara: “Vogue é lida pela esmagadora minoria”. A mensagem transmitia a ideia de que o importante não era o número de leitores, mas a qualidades destes. Ser minoria não é problema se a minoria se tornar esmagadora.

O que Jesus estava querendo dizer em Sua oração intercessória, é justamente que Seu povo sempre seria a minoria, mas devia ser uma minoria esmagadora, capaz de revolucionar o mundo, Uma minoria que não fosse contaminada, mas que “contaminasse”, que não fosse influenciada, mais que influenciasse.

Repetidas vezes Ele afirmou essa mensagem ao usar as figuras do sal, que sendo a minoria em meio aos elementos que formam uma comida, é capaz de mudar completamente o sabor dela. Outra vez usou a figura da luz, que sendo apenas um raio insignificante, pode romper o poder das trevas que reinam num quarto escuro.

A esmagadora minoria!

Não Te peço que os tires do mundo, mas que os mantenhas sempre “esmagadora minoria”, capaz de refletir o Meu caráter para os homens.

Todos conhecem a oração do grande pregador Carlos Spurgeon:

Dá-me doze homens, homens importunos, amantes de almas, que não temam coisa alguma senão o pecado, e não amem coisa alguma senão a Deus, e abalarei Londres de extremo a extremo.

A esmagadora minoria de Gideão foi capaz de derrotar o inimigo. A esmagadora minoria dos cristãos primitivos foi capaz de levar o evangelho para todos os cantos do mundo conhecido daquele tempo.

Não tenha medo de formar parte da minoria, mas tenha certeza de que ela é “esmagadora”. Não tenha medo de que todos os seus colegas na faculdade saibam que você não fuma, não bebe e não usa drogas porque ama a Jesus. Não tenha vergonha de que todos os seus colegas de trabalho saibam que você não pode ter “aventuras” imorais porque ama a Jesus. Não sinta vergonha de ser honesto, de defender a virtude, de valorizar princípios, mesmo vivendo num mundo que o faz sentir-se na contramão da vida.

Faça de Jesus o centro de sua vida e permita que Ele viva em você as grandes virtudes do evangelho, sem falso moralismo, mas de maneira natural e autêntica.

ESTÁ INSUPORTÁVEL. . . !

Perdoem-me, irmãos, eu confesso a tão aguardada confissão de minha boca. Sim, eu confesso que não posso mais deixar de declarar a minha alma. Para mim é questão de vida ou morte. Perdoem-me, irmãos, mas eu preciso confessar.

Sim, eu confesso…

Está insuportável. Se eu não abrir a minha boca, minha alma explodirá em mim.

É insuportável ligar a televisão e ver o culto que se faz ao Monte Sinai, que gera para escravidão. Os Gálatas são o nosso jardim da infância. Nós nos tornamos PHDs do retrocesso à Lei e aos sacrifícios. Pisa-se sobre a Cruz de Cristo em nome de Jesus. Insuportável! Seja anátema!

É insuportável ver o culto à fé na fé, e também assistir descarados convites feitos em nome de Deus para que se façam novos sacrifícios, visto que o de Jesus não foi suficiente, e Deus só atende se alguém fizer voto de freqüência ao templo, e de dinheiro aos sacerdotes do engano e da ganância. Insuportável!

É insuportável assistir ao silêncio de todos os dantes protestantes—e que até hoje ofendem os cultos afro-ameríndios por seus sacrifícios, sendo que estes ainda têm razão para sacrificar, visto que não confessam e não oram em nome de Jesus—ante o estelionato feito em e do nome de Jesus, quando se convida o povo para sacrificar a Deus, tornando o sacrifício de Jesus algo menor e dispensável. Insuportável!

É insuportável ver o povo sendo levado para debaixo do jugo da Lei quando se ressuscitam as maldições todas do Velho Testamento, e que morreram na Cruz, quando Jesus se fez maldição em nosso lugar. Insuportável!

É insuportável ver que para a maioria dos cristãos a Lei não morreu em Cristo, conforme a Palavra, visto que mantêm-na vigente como “mandamento de vida”, mas que apenas existe para gerar culpa e morte, também conforme a Escritura. Insuportável!

É insuportável ver e ouvir pastores tratando a Graça de Deus como se fosse uma parte da Revelação, como mais uma doutrina, sem discernir que não há nada, muito menos qualquer Revelação, se não houver sempre, antes, durante, depois, transcendentemente e imanentemente, Graça e apenas Graça. Misericórdia!

É insuportável ver a Bíblia sendo ensinada por cegos e que guiam outros cegos, visto que nem mesmo passaram da Bíblia como livro santo, desconhecendo a Revelação da Palavra da Graça do Evangelho de Deus. Insuportável tristeza!

É insuportável ver que os cristãos “acreditam em Deus”, sem saber que nada fazem mais que os demônios quando assim professam, posto que não estamos nesta vida para reconhecer que Deus existe, mas para amá-Lo e conhecê-Lo. Insuportável desperdício!

É insuportável enxergar que a mensagem do Evangelho foi transformada em guia religioso, no manual da verdade dos cristãos, mais uma doutrina da Terra. Insuportável humilhação!

É insuportável ver os que pensam que possuem a doutrina certa jamais terem a coragem de tentar vivê-la como mergulho existencial de plena confiança, mas tão somente como guia de bons costumes e de elevados padrões morais. Insuportável religiosidade!

É insuportável ver gente tentando “estudar Deus”, e a ensinar aos outros a “anatomia do divino”, ou a buscar analisar Deus como parte de um processo, no qual Deus está aprendendo junto conosco, não sabendo tais mestres que são apenas fabricantes de ídolos psicológicos. Insuportável sutileza!

É insuportável ver que há muitos que sabem, mas que nada dizem; vêem, mas nada demonstram; discernem, mas em nada confrontam; conhecem, mas tratam como se nada tivesse conseqüências… Insuportável…

É insuportável ver que se prega o método de crescimento de igreja, não a Palavra; que se convida para a igreja, não mais para Jesus; e que a cada cinco anos toda a moda da igreja muda, conforme o que chamam de “novo mover”. Insuportável vazio!

É insuportável ouvir pastores dizendo que o que você diz é verdade, mas que eles não têm coragem de botar a cara para apanhar, mesmo que seja pela verdade e pela justiça do evangelho do reino de Deus. Insuportável dissimulação!

É insuportável ver um monte de homens e mulheres velhos e adultos brincando com o nome de Deus, posando de pastores, pastoras, bispos, bispas, apóstolos e apostolas, sendo que eles mesmos não se enxergam, e não percebem o espetáculo patético no qual se tornaram, e o ridículo de suas aspirações messiânicas estereotipadas e vazias do Espírito. Insuportável jactância e loucura!

É insuportável ver Jesus sendo tratado como “poder maior” e não como único poder verdadeiro. Insuportável idolatria!

É insuportável ver o diabo ser glorificado pela freqüência com a qual se menciona o seu nome nos cultos, sendo que Paulo dele falou menos de uma dúzia de vezes em todas as suas cartas, e as alusões que Jesus fez a ele foram mínimas. No entanto, entre nós o diabo está entronizado como o inimigo de Cristo e o Senhor das Culpas e Medos. E, assim, pela freqüência com a qual ele é mencionado, ele é crido; e seu poder cresce na alma dos humanos, a maioria dos quais sabe apenas do Medo da Lei, e nada acerca da Total Libertação que temos da Lei e do diabo na Graça de Jesus, que o despojou na Cruz. Insuportável culto!

É insuportável ver seres humanos sendo jogados fora do lugar de culto por causa de comida, bebida, cigarro, roupa, sexualidade, ou catástrofes de existência. Isto enquanto se alimenta o povo com maldade, inveja, mentira, politicagem, facções, e maldições. Insuportável é coar o mosquito e engolir o camelo!

É chegada a hora do juízo sobre a Casa de Deus!

De Deus não se zomba, pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará. A eternidade está às portas. Então todos saberão que não minto, mas falo a verdade, conforme a Palavra do Evangelho de Jesus.

Onde fica o PROCON dos crentes?

Anteontem, enquanto ia para ao centro da cidade, ouvi um senhor comentar bem alto após ler um daqueles folhetos colados em postes de iluminação com a promessa de fazer e desfazer qualquer tipo de “trabalho”: “Isso tudo é enrolação! Um amigo meu deu R$ 100,00 para um pai de santo para fazer a esposa voltar para ele e até agora nada, o idiota perdeu foi os R$ 100,00!” Confesso que, por dentro, também achei o cara citado um completo idiota, mas há pouco me achei um pouco idiota também, após ver uma propaganda no programa matinal da Assembléia de Deus do Bom Retiro.

E mais: se você não participou da edição do ano passado do evento, você pode comprar o avivamento e recebê-lo em sua casa!

A primeira pergunta que me passou pela cabeça: se esse é o nono congresso de avivamento da denominação, onde está esse avivamento que está sendo prometido a quem se inscreve há pelo menos 8 anos? O que São Paulo mudou nesse tempo? O que o Bom Retiro mudou nesse tempo? O que a igreja mudou nesse tempo? Ora, porque espera-se de um avivamento genuíno pelo menos uma mudança significativa no caráter individual e coletivo. Porém, tudo está como antes, ou até pior, se formos pensar bem.

A questão da venda do “avivamento” é tão explícita, que a inscrição no congresso é mais um “produto” do ADBRShop.

A propósito, o que as pessoas que comprarão o “produto” Avivamento Total receberão, de verdade? Avivamento, ou apenas uma maratona de pregações? E se for a segunda opção, não seria mais barato apenas e simplesmente visitar boas igrejas, onde com certeza a pregação seria de melhor qualidade da proporcionada no tal congresso, levando-se em conta as “estrelas” convidadas, e ainda por cima tudo sairia de graça? (pois não se engane: além dos R$ 50,00 da inscrição, em todas as noites do tal congresso serão levantadas ofertas da forma mais absurda possível, apelando para a fé e o amor dos fiéis a Cristo, e atrelando-as à obtenção de bênçãos especiais)

Ah, mas haverá o sorteio de um carro zero quilômetro!!! Aí a coisa muda de figura, né?

E por falar em estrelas, qual é o foco da propaganda do tal congresso? A mensagem de Cristo? Não! As “estrelas” do evento! Note que em nenhum momento fala-se em Jesus, em Deus, no Evangelho. Não fosse o nome da igreja que está realizando o evento, este poderia facilmente passar como um congresso de auto-ajuda. Jesus há muito deixou de ser o principal nas denominações: não se busca mais a Ele, mas aos seus “ungidos”, cada qual na sua especialidade – milagreiros, prosperadores, especialistas em assuntos de família, de cura, de abertura de portas, de libertação ou em profetadas. Assim, colocar o nome de Jesus na propaganda do evento não seria um bom negócio, pois o povão quer mesmo é ver os mesmos “ungidos” de sempre, passar algumas horas em êxtase emocional e voltar para casa com a alma lavada e o espírito de sempre, pronto para a volta do velho homem no final de tudo, afinal avivamento mesmo, esse está muito longe de acontecer e não é vendido por nenhum preço.

Esse é apenas um exemplo. Infelizmente, a grande maioria das denominações têm usado do mesmo artifício para inflamar seus eventos e aumentar seu caixa, seja na forma de congresso, noites de poder, vigílias do sobrenatural, cursos abençoadores. Cria-se a expectativa falsa de avivamento, as pessoas vão em um, vão no segundo, no terceiro, no quarto evento e, vendo que de verdade nada acontece, sua fé passa a esmorecer. Alguns até se desviam de Cristo, pois nesses eventos não se apresenta o verdadeiro Jesus, mas apenas promessas de vitória e poder, em nada diferentes às do pai de santo que vende seus “trabalhos” nos postes das ruas. No fundo, no fundo, vivemos um evangelho de macumbaria gospel, onde promete-se o sobrenatural a quem pode pagar (ou melhor, “tem fé suficiente”).

Onde fica o PROCON dos crentes, para a denúncia das denominações que não entregam os produtos que vendem a esse povo que não tem conhecimento da Palavra?






Reality Show Gospel: 15 minutos de fama mundana

A tevê foi invadida pelos reality shows, programas onde mostram o dia-a-dia de pessoas comuns ou celebridades, uma espécie de zoológico humano. Na Globo temos o famigerado BBB em sua décima edição, na Record temos o Ídolos e A Fazenda, no SBT o Esquadrão da Moda, e temos até canais por assinatura especializados em reality’s, como o Discovery Home and Health e o People and Arts.

Porém, a novidade do momento em termos de reality shows ocorrerá dia 6 de março na Rede TV, com o Desafio da Música Gospel, uma espécie de Ídolos ou Fama para crentes. Apresentado pelo casal neoevangélico Andréia Sorvetão e Conrado, seguirá o mesmo formato de seus antecessores seculares: provas para qualificação dos candidatos e depois treinos, ensaios, aulas de música que aperfeiçoarão seu dom, culminando em apresentações com caráter eliminatório, onde a cada dia um participante deixará o programa, restando um vencedor final. O programa promete distribuir cerca de R$ 5 milhões em prêmios. Segundo o site O Fuxico, a inscrição de cada participante será de R$ 70,00.

Mas e aí? Algum problema?

Todos.

A questão é: quem estará participando? Simples apreciadores do gênero gospel, ou crentes que adoram a Deus através de sua música? Com certeza, serão crentes, e para esses fica a pergunta: é lícito comercializar com um dom que Deus nos deu para Sua adoração? É lícito buscarmos fama e dinheiro em nome de Deus (pois as músicas a serem cantadas serão em Sua homenagem)? Na Bíblia descobrimos que Deus não divide Sua glória com ninguém. Por que queremos agradar a Deus por um lado, mas buscar glória pessoal por outro?

Outra coisa: como selecionar o melhor “adorador”? Será que cantar afinado e bonito significa estar fazendo o melhor para Deus? E se o quesito em questão é apenas o talento musical, não seria mais honesto deixar o nome de Deus bem longe disso tudo?

Infelizmente, Deus hoje tem sido para muitos apenas meio de se obter privilégios. Seja através da luciferiana teologia da prosperidade, seja através de reality shows gospel, o nome de Deus serve apenas como desculpa para sermos mais abençoados financeiramente, o que nos faz mais amigos do mundo, quando na verdade deveríamos, como povo de Deus, ser estrangeiros nele. Viver nesse mundo não significa adotar os valores desse mundo; ao contrário, Jesus nos chama para ser sal e luz, para dar gosto e iluminar o ambiente, não para aceitarmos passivamente o que nos é apresentado. Porém, mais e mais que se dizem crentes em Cristo O trocam pelas benesses que esse mundo que jaz no maligno pode nos oferecer.

Judas trocou Cristo por 30 moedas de prata. Nós o trocamos pelas bênçãos materiais e pelo sucesso pessoal. Em que nos diferimos? Em nada. Minto. Judas é muito melhor do que nós, pois este pelo menos se arrependeu e tentou devolver as moedas. Já nós, que também nos dizemos seguidores fiéis de Cristo, guardamos cada moedinha e ainda buscamos mais, sempre usando o nome de Deus da forma mais manipuladora possível.

Tenho nojo de artistas gospel, seja cantores ou pregadores. Me dá asco ver celebridades gospel usando do nome de Deus para justificar seus ganhos ilegais, a compra do jatinho particular, a venda de ingressos para que os meros mortais possam assisti-los ao vivo e a cores em congressos e shows, como se fossem popstars e não mensageiros do Evangelho. E pensar que Jesus, nosso exemplo maior, nunca buscou fama ou riquezas, ao contrário, buscava apenas nos mostrar o Pai através Dele. Mas quem hoje quer ver o Pai, se pode ver o crescimento de sua conta bancária particular?

Não temos mais o temor de Deus. Isso mostra que nem amor a Ele temos mais, pois Mamom já tomou conta dos nossos corações. A porta está ficando cada vez mais estreita, e cada vez menos cristãos buscam passar por ela. Por outro lado, Mamom está de braços abertos, distribuindo fama e dinheiro para todos os seus filhos odiados, mas que se sentem amados por ele. Mamom não se importa que lhe chamem de Jesus, o nome a que se dirigem é o de menos, o que realmente importa é o que está no coração, e nosso coração está a cada dia mais cauterizado em adoração ao deus desse mundo que tanto amamos, e no qual queremos ter primazia.

Não sei onde fica a Rede TV, sei que é em São Paulo, e sinceramente gostaria de estar lá, na estréia do programa, com uma faixa a ser estendida (mas que sei que não durará 10 minutos):

“VOLTEMOS AO EVANGELHO PURO E SIMPLES. O $HOW TEM QUE PARAR”.

Chorando pela tragédia no Haiti !

As lembranças das inundações de 2008, em Santa Catarina, ainda estavam bem presentes conosco, quando testemunhamos as mortes e prejuízos resultantes de deslizamentos, desmoronamentos e alagamentos nesta transição 2009/2010, em nosso Brasil. Depois, nos últimos dias, estamos sendo impactados com o terremoto no Haiti. Temos testemunhado e chorado com o conseqüente sofrimento chocante, intenso e extremamente abrangente, que nos remete ao Tsunami de 26.12.2004, no Oceano Índico, quando pereceram cerca de 220 mil pessoas.

Não sabemos ainda a extensão da tragédia causada pelo terremoto no Haiti. Alguns falam em 200 mil mortos, sem contar aqueles que ainda enfrentarão as doenças e conseqüências da falta de higiene, alimentos e cuidados médicos. A desagregação de famílias e daquela sociedade, já tão fragmentada pela miséria e ausência de governo, corta o nosso coração. Enquanto vemos as cenas de dor e tristeza, e avaliamos tudo isso, procurando aferir o que podemos e devemos fazer, somos levados às Escrituras para procurar alguma compreensão trazida pelo próprio Deus, para esses desastres.

Acima de tudo, devemos resistir à tentação de procurar respostas que diminuem a bíblica soberania e majestade de Deus, e consequentemente a sua pessoa. Tais “explicações”, “conclusões” e “construções” aparentam ser plausíveis, mas revelam-se meramente humanas, pois contrariam a revelação das Escrituras. Esse tipo de resposta sempre aparece, quando ocorrem tais acontecimentos; elas não são novidade nem têm surgido apenas em nossos dias.

Por exemplo, em novembro de 1755 a cidade de Lisboa foi praticamente arrasada por um grande terremoto. A conclusão emitida por padres jesuítas foi a de que: “Deus julgou e condenou Lisboa, como outrora fizera com Sodoma”. Voltaire (François Marie Arouet), que era um deísta, escreveu em 1756 “Poemas sobre o desastre em Lisboa”. Ali, ele culpa a natureza e a chama de malévola, deixando no ar questionamentos sobre a benevolência de Deus. Jean Jacques Rousseau, respondeu com “Carta sobre a providência”. Nela ele culpa “o homem” como responsável pela tragédia. Ele aponta que, em Lisboa, existiam “20 mil casas de seis ou sete andares” e que o homem “deveria ter construído elas menores e mais dispersas”. Ou seja, procurando “inocentar a Deus e a natureza” ele coloca a agência da tragédia no desatino dos homens.[1]

Sobre o terremoto no Haiti, à semelhança do que ocorreu no Tsunami, vi alguns depoimentos de pastores, falando sobre a “mão pesada de Deus, em julgamento”; opinião semelhante à emitida quando do acidente com o avião que transportava o grupo “Mamonas Assassinas”, em 1996.

Ainda outros, procuram uma teologia estranha às Escrituras, para “isolar” Deus da regência da história. São os mesmos que, quando da ocorrência do Tsunami e do acidente ocorrido com o Vôo 447 da Air France em junho de 2009, emitiram a seguinte conclusão: “Diante de uma tragédia dessa magnitude, precisamos repensar alguns conceitos teológicos” (veja as excelentes reflexões sobre esse último desastre, no post do Augustus Nicodemus, neste mesmo blog). No entanto, em vez de formularmos nossa teologia pelas experiências, voltemo-nos ao ensinamento do próprio Jesus.

Em Lucas 13.1-9 temos instrução pertinente sobre vários tipos de tragédias. A primeira tragédia tratada é aquela gerada por homens (Vs 1-3). Certos galileus haviam sido mortos por soldados de Pilatos. A Bíblia diz que “alguns” colocaram-se como críticos e juízes (a resposta de Jesus infere isso); deduziram que aqueles que haviam sofrido violência humana, sangue derramado por armas (em paralelo às situações que vivemos nos nossos dias) seriam mais pecadores do que os demais. O ensino ministrado é o seguinte: Não vamos nos colocar no lugar de Deus. Não vamos nos concentrar em um possível juízo ou julgamento sobre as vítimas. Jesus, em essência diz: cuidem de si mesmos! Constatem os seus pecados! Arrependam-se!

Mas ele nos traz, também, um segundo tipo de tragédias. Esta que é referida é semelhante, guardadas as proporções, à ocorrida no Haiti. São tragédias geradas por “fatalidades”. Ele fala da Torre de Siloé. O texto (Vs 4-5) diz que ela desabou, deixando 18 mortos. Jesus sabia que mesmo quando, aos nossos olhos, mortes ocorrem como conseqüência de acidentes, isso não impede que rapidamente exerçamos julgamento; não impede que tentemos nos colocar no lugar de Deus. E Jesus pergunta: “Acham que eram mais culpados do que todos os demais habitantes da cidade”? O ensino é idêntico: Não se coloquem no lugar de Deus; não se concentrem em um possível juízo ou julgamento sobre as vítimas; cuidem de si mesmos! Constatem a sua culpa! Arrependam-se!

O surpreendente é que Jesus passa a ilustrar o seu ensino com uma parábola (Vs.6-9). Ele fala de uma figueira sem fruto. Aparentemente, a parábola não teria relação com as observações prévias, mas, na realidade, tem. Ela nos ensina que vivemos todos em “tempo emprestado” pela misericórdia divina.

Figueiras existem para dar frutos - o homem vinha procurar frutos - essa era sua expectativa natural. Todos nós fomos criados para reconhecer a Deus e dar frutos. Esse é o nosso propósito original.

Figueiras sem frutos “ocupam inutilmente a terra”. O corte é iminente, e justificado a qualquer momento.

O escape: É feito um apelo para que se espere um pouco mais, na esperança de que, bem cuidada e adubada, a figueira venha a dar fruto e escape do corte.• Lições para o vizinho? Jesus não apresenta a figueira como um paralelo para comparação com outras pessoas – cujas existências foram ceifadas como vítimas de violência ou fatalidades. Ele quer que nos concentremos em nós mesmos, em nossas próprias vidas, pecados e na necessidade de arrependimento.

Tempo emprestado: O que ele está ensinando e ilustrando, aqui, é que nós, você e eu, como os habitantes do Haiti, vivemos em tempo emprestado; vivemos pela misericórdia de Deus; vivemos com o propósito de frutificar, de agradar o nosso proprietário e criador.

Creio que a conclusão desse ensino, é que, conscientes da soberania de Deus e de que ele sabe o que deve ser feito, não devemos insistir em procurar grandes explicações para as tragédias e fatalidades. Jesus nos ensina que teremos aflições neste mundo (João 1.33) - essa é a norma de uma criação que geme na expectativa da redenção. 1 Pe 4.19 fala dos que sofrem segundo a vontade de Deus. Lemos que não devemos ousar penetrar nos propósitos insondáveis de Deus; não devemos “estranhar” até o “fogo ardente” (1 Pe 4.12).

Assim, as tragédias, desde as locais pessoais até as gigantescas, de características nacionais e internacionais, são lembretes da nossa fragilidade; de que a nossa vida é como vapor; de que devemos nos arrepender dos nossos pecados; de que devemos viver para dar frutos.

Também, não cometamos o erro de diminuir a pessoa de Deus, indicando que ele está ausente, isolado, impotente. Como tantas vezes já dissemos, “Deus continua no controle”. Lembremos-nos de Tiago 4.12: “um só é legislador e juiz - aquele que pode salvar e fazer perecer”. Não sigamos, portanto, nossas “intuições”, no nosso exame dos acontecimentos, mas a Palavra de Deus. Como nos instrui 1 Pe 4.11: “ se alguém falar, fale segundo os oráculos de Deus”.

Em paralelo, não podemos cometer o erro de ser insensíveis às tragédias - Pv 17.5 diz: “o que se alegra na calamidade, não ficará impune”; mesmo perplexos, sabendo que não somos juízes nem videntes. Devemos nos solidarizar com as vítimas, na medida do possível.

Lembram do McGyver?

Lembram do McGyver? Aquele cara meio-espião que usava bugigangas para sair das situações mais sinistras e escalafobéticas? O cara era sinistro: bastava um prestobarba usado, uma fita crep e uma caixa de fósforo pra ele explodir um galpão e mandar um monte de terroristas para o inferno. Eu era criança quando passava McGyver na TV, mas ficava indignado com as invenções do cara. Eu tentava repetir os experimentos em casa, mas comigo não funcionava. As invenções do McGyver eram pura cascata!

Acontece que tem muito pastor McGyver no meio dos crentes. Os caras pegam as giringonças mais improvavéis, os patuás mais sem sentido, e querem fazer a gente acreditar que aquela porcaria funciona. Puro comércio; fazem um tremendo estardalhaço pra meter a mão no bolso da gente. Hipócritas, desgraçados, filhos do cão!

Cansei dessa bandidagem com nome de religião. Nunca falei tão sério! Estou cansado de ver a minha classe levar pancada por causa desses safados que pervertem o evangelho em picaretagem. Estou cheio de ver gente me olhando torto, com desconfiança, cada vez que digo que sou pastor. Que trabalho pode ser tão honroso quanto ser um pastor? Mas hoje em dia, a insígnia virou sinônimo de safado, de picareta, de ladrão. E a culpa? É desses demônios em forma de gente. Desses pilantras que estou prestes a entregar para Satanás, para que se arrependam.

Acham que eu estou sendo radical? Jesus o era. Paulo também. E o evangelho que eu prego, aprendi com eles! Saca só o arsenal de bobagens que esse filho do inferno comercializa, e me diz se não é de embrulhar o estômago?

Crentes do meu querido Brasil: leiam a Bíblia! Parem de assistir Valdemiro, Feliciano, Malafaia e RR Soares e vão orar, conhecer a Deus em intimidade. É uma falta de vergonha o evangelho de hoje, e a culpa não é só do João Batista (o pastor McGyver!) não; é nossa também. O traficante só se dá bem porque tem viciado pra consumir. Do mesmo modo, esses golpistas safados só fazem sucesso porque tem quem os alimente.

Vamos parar com a palhaçada! E se quiser esculachar no comentário, manda bala! Mas seja homem (ou mulher!) e não se esconda detrás do anonimato. Dê a cara para bater! Eu estou botando a minha pra levar porrada, mas não estou nem aí. Estou cansado de ser comparado com esses filhos de Jezabel, discípulos de Balaão, adoradores de Baal Zebub e pistoleiros de Mamom.

Desconstruindo o Pr. Silas Malafaia: quanto vale a sua fé?

“Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia.” – 1 Co 10.12

Ontem, meio mundo cristão (espero!) ficou abismado com a profetada do Pr. Morris Cerullo, que visa patrocinar o império televisivo gospel do Pr. Silas Malafaia. Há um artigo anterior a esse falando sobre o assunto, a venda de uma dita unção financeira por módicos (?) R$ 900,00. Nesse artigo, busco entender o que aconteceu com o Pr. Silas Malafaia.

Em seu site, o Pr. Silas Malafaia diz que está no ministério televisivo há 25 anos ininterruptos, tendo passado por várias emissoras nacionais e internacionais. Possui a editora Central Gospel, que publica seus livros, CD’s e DVD’s de mensagens, e há poucos anos adquiriu, através de doações, um complexo, um “projac gospel”, onde grava seus programas e, ao que parece, tornou-se a sede da Associação Vitória em Cristo.

Até aí, tudo bem. Graças a Deus ele consegue estar há tanto tempo no ar! Mas será mesmo graças a Ele?

Embora em seus programas pose como uma espécie de paladino da verdade evangélica, o Pr. Malafaia costuma mudar rapidamente de opinião, levado por algum “vento” (interesses?). Em 1995, por exemplo, foi notória sua defesa da Igreja Universal do Reino de Deus, cujo líder, Edir Macedo, havia dias antes sido alvo de denúncias no Jornal Nacional da Globo, inclusive com a apresentação de vídeos onde o líder ensinava a seus pastores o melhor método para aumentar a arrecadação da igreja. Nessa época o Malafaia também foi usado pela IURD, segundo denúncias do Pr. Caio Fabio, para denegri-lo por conta de sua separação e envolvimento no chamado Dossiê Caimã, recebendo em troca um salário mensal de cerca de 40 mil reais (o que, se for verdade, sustentaria seu programa na época?):

É interessante que, tempos depois, a opinião do Pr. Silas em relação à IURD e à Rede Record mudou completamente (por revelação, pela decadência moral ou porque a fonte secou?):

Passado um tempo, o Pr. Silas Malafaia juntou-se com o casal de governadores do Rio de Janeiro, os Garotinho. Durante um tempo, Anthony Garotinho teve um programa apresentado posteriormente ao do Malafaia. Embora chovessem denúncias contra o casal, o Pr. Silas sempre os defendeu com unhas e dentes, chegando num programa a dizer que, devido a isso, poderia ser alvo ele próprio de falsas denúncias. Procurei esse vídeo na internet mas não o encontrei, porém quem acompanhou sua programação nesse período pode atestar o que estou falando.

Recentemente, o Pr. Silas juntou-se com o Paipóstolo Renê Terra-Nova, conhecido por conquistar há poucos dias seu próprio aviãozinho, e por ter criado bizarrices como a “unção de nobreza“, dada a quem desembolsasse bastante dinheiro para o seu ministério (tipo uns R$10.000,00). Além disso, o paipóstolo foi durante muito tempo um dos líderes do G12 no Brasil, porém acabou se separando do Castellanos e cia. e criou seu próprio G12, o Mir12. Mesmo tendo sido por muito tempo contra o G12 e unções esquisitas, atualmente tudo isso foi superado pelo Pr. Silas, e ele e o paipóstolo são amigos desde pequenininhos! O que mudou nesse tempo?

Mas claro, não pára por aqui. O mais novo amigo-íntimo do Pr. Silas é o Apóstolo Valdemiro Santiago, o milagreiro da Igreja Mundial do Poder de Deus, o mesmo que, numa pregação sobre Colossenses 1.15-17, disse que, com base nesses versículos, Jesus havia sido o primeiro a ser criado. E pior, fez o auditório repetir que tinha entendido isso (infelizmente também não tenho esse vídeo, assisti em casa numa dessas madrugadas). Tornaram-se tão amigos que o Apóstolo até comprou durante algum tempo quase todo o horário das madrugadas da Band, por intermédio do Malafaia.

Porém, há alguns dias tenho percebido que as madrugadas da Band estão sendo divididas com mini-pregações de vários pastores, ao invés da do Apóstolo (se bem que isso é bom, porque ele quase nunca pregava nada mesmo). E isso tem coincidido com o fato do Pr. Malafaia reclamar ter perdido seu maior patrocinador, necessitando agora de trocentos novos patrocinadores. Será tudo apenas coincidência?

Coincidência ou não, o Pr. Silas também mudou sua visão sobre a teologia da prosperidade. Acredite se quiser, houve uma época em que ele combateu essa prática!

Pena que ele mudou de opinião sobre esse assunto, e mudou tanto que, agora, está imitando o novo-amigo paipóstolo, dando unção financeira a quem puder pagar por ela (ainda bem que está exigindo R$900,00 e não R$10.000,00, pelo menos é mais acessível). Talvez a última cartada, afinal a cada dia está mais difícil concorrer no mercado das ofertas com ministérios como o da Igreja Mundial ou Internacional da Graça de Deus. Para que ofertar para um pregador, quando se pode ofertar para um milagreiro? Porém, se o pregador vender dinheiro fácil, aí até dá para fazer a troca, pois dinheiro não traz felicidade ou cura para os males: manda buscar.

Quanto vale a nossa fé? Quanto estamos dispostos a recusar dia após dia, a fim de nos mantermos fiéis a Deus e à Sua Palavra? Quanto o deus desse mundo tem que nos oferecer para apostatarmos da fé? Qual o preço da nossa fidelidade ao Reino?

NENHUM!!!! Com certeza você pensou isso. Porém, quando o Pr. Malafaia e tantos homens e mulheres de Deus sentiram o gosto doce do poder, da fama, do reconhecimento, do conforto que o dinheiro pode trazer, infelizmente tiveram suas convicções balançadas, e afinal uma mudancinha aqui e ali para satisfazer quem possa nos ajudar não atrapalha em nada, afinal o objetivo maior é o que importa, que é levar a Palavra de Deus ao maior número de pessoas. Envoltos nesse engano, de que nós é que temos que ter programa de tevê, nós é que temos que ter jatinho particular para ir para vários lugares levar a Palavra, nós é que temos que fazer isso e aquilo, mesmo que essa não seja a vontade de Deus, passamos a fazer qualquer coisa para manter nossa aparente situação. Porém Deus, onde está?

Quem está de pé, cuide para que não caia.

Pr.Silas Malafaia: um cego guiando outros cegos !

Nessa manhã, assisti ao final do programa do Pr. Silas Malafaia, onde dizia que tinha conseguido uma oportunidade maravilhosa: a de ter à sua disposição uma rede mundial de satélites, que possibilitaria a transmissão de seu programa para os quatro cantos do mundo, com dublagem ou legenda em inglês. Além disso, para 2010 o pastor tem planos de fazer uma nova “escola de líderes”, similar à do ano passado, além das cruzadas propriamente ditas pelo país. Para isso, contudo, é necessário que o povo de Deus se sensibilize financeiramente, uma vez que serão necessários mais 70 mil ofertantes fiéis a partir de R$ 30,00, e pelo menos mais 820 com doações acima de R$ 1.000,00 (esses têm um título mais pomposo, o de gideões).

Mas qual o problema, já que o objetivo citado pelo Pr. Malafaia é a propagação do Evangelho entre as nações?

O problema é que, em nome de uma possível vaidade pessoal, que faz com que o dito pastor se ache o mensageiro de Deus nesses últimos dias (o único que pode cumprir a missão televangelística mundial), teremos um cego guiando outros cegos.

Ora, há tempos que o Pr. Malafaia tem demonstrado seu sutil afastamento do Evangelho puro e simples. Aqui nesse blog mesmo temos um artigo recheado de vídeos, que comprova a quantidade de contradições nas quais o dito pastor tem se arvorado, com o intuito de manter seu status de senhor da verdade gospel.

Entre outras coisas, temos visto o Pr. Malafaia abraçar com as duas mãos a famigerada teologia da prosperidade, que prega que quanto mais você pagar, mais o deus mercenário deles lhe dará em troca. É uma teologia que anula totalmente o amor de Deus ao ser humano, tornando essa relação puramente comercial, mercantilista. Como Deus não precisa gastar o dinheiro arrecadado, essa difícil missão acaba recaindo sobre seus “ungidos”, que se vêm no direito de cobrar dízimos, trízimos, ofertas milionárias, podendo até vender unções especiais como a da nobreza, invenção do Ap. (?) Terranova. Quem consegue as bênçãos teve fé; quem não consegue, não teve fé suficiente e deverá ofertar mais (põe mercenário nesse deus, hein!).

O Pr. Malafaia também demonstrou, recentemente, não ter o mínimo de discernimento espiritual ao julgar como “profeta de Deus” uma pessoa como o tal do Pr. Morris Cerullo. O tal profetizou que quem desse R$ 900,00 para o ministério do Pr. Malafaia receberia até dia 31 de dezembro de 2009 uma “unção financeira sem limites”, a “última distribuição das riquezas mundiais”. Levando-se em conta com foram arrecadados milhões nessa brincadeira, e que o programa foi reprisado umas 10 vezes no ano passado, realmente não entendo o porquê do Pr. Malafaia estar agora esmolando ofertas de 30 ou de 1.000 reais: basta que cada novo milionário da unção Cerulliana entregue uma ínfima parte de tudo o que recebeu até dia 31 passado. Ou será que a tal “unção financeira” foi apenas mais um embuste de espertalhões, embuste esse que ajudou o Pr. Malafaia a também recentemente comprar seu próprio aviãozinho pela bagatela de 12 milhões?

Além dessas sandices gospel, livremente pregadas pelo Pr. Malafaia em rede nacional, temos o fato de que sua pregação há muito tempo não se direciona à evangelização, mas à “instrução” de quem já é crente. Em suas pregações televisivas, prega sobre como o crente pode ser vitorioso. Ora, se sua pregação é, em quase sua totalidade, direcionada para quem já é crente, qual o interesse de que isso seja levado em nível mundial?

Ninguém é dono da verdade. Ninguém é essencial para a obra de Deus aqui na terra. A obra é de Deus, e Ele usa quem ele quer, quando e onde Ele quer. Alguém se achar imprescindível na pregação, ainda mais apresentando a quantidade de erros doutrinários que o Pr. Malafaia tem apresentado, é querer ser cego guiando outros cegos. E o final da história todos conhecemos: caem todos no buraco.

Que Deus possa nos tirar a vaidade de achar que a obra é nossa, e que assim possamos deixar que Ele nos use da forma que bem entender. Dessa forma, com a obra sendo feita por Deus através de nós, não precisaremos ficar esmolando ofertas em púlpitos ou programas de televisão, e ainda ter que ficar justificando que a obra precisa de dinheiro, dessa forma envergonhando ainda mais o Evangelho aos olhos daqueles que supostamente visam converter a Cristo.

Ora, já perceberam que a teoria defendida pelos profetas da prosperidade só funcionam para o povo, e nunca para eles mesmos?

Silas Malafaia e a “unção financeira

O Pr. Silas Malafaia não desiste. Acho que, por conta de estar sentindo na pele os resultados da “unção dos 900,00″ (há boatos de que já foram arrecadados pelo menos 2 milhões de reais), o pastor deseja ardentemente compartilhar com o maior número de pessoas possível o revelamento do Pr. Morris Cerullo, de que Deus derramará riquezas sem igual aos que crerem e depositarem R$900,00 na conta do programa malafaiano. Essa semana já ouvi a mensagem que coloco a seguir 3 vezes, e com certeza ela se repetirá durante toda a próxima semana, afinal não se pode excluir ninguém da possibilidade da “bênção” por não ouvir a “verdade”, a fé vem pelo ouvir, não é mesmo?

Infelizmente, dessa vez, não peguei o anúncio desde o começo, mas já dá para ter uma idéia. Inicialmente Malafaia começou enaltecendo as qualidades proféticas do Cerullo, e depois, para explicar o porquê de tantas repetições dessa duvidosa entrevista, informa com estatísticas sem citação de sua fonte que uma pequena porcentagem assiste sempre aos programas, sendo então necessário que a unção financeira continue sendo reprisada sem fim, para que todos tenham acesso a ela.

Sobre a questão da “oferta voluntária”, Malafaia diz que em todas as religiões há essa prática, esquecendo-se, porém, que o Pr. Morris Cerullo fez o que chamamos no setor bancário de “venda casada”: atrelou o recebimento de uma unção especial ao pagamento dos R$ 900,00, disse com todas as letras que a unção seria dada apenas aos que dessem o dinheiro. Nesse caso, apesar de colocarem em letras garrafais no video “oferta voluntária”, na verdade não passa de uma venda, onde o fiel paga para receber o que lhe é prometido como algo necessário: riquezas.

Muito blablabla depois, no minuto 6:43 ouvimos finalmente a resposta do Malafaia aos que criticam a unção financeira, seguida de uma risadinha sarcástica, típica do Pastor.

“Eu quero deixar uma palavra aqui muito, muito especial. Eu quero dizer que não tou nem aí para você, crítico, hahaha, eu não tou nem aí pra você, sabe por quê? Porque quem critica não faz nada, você conhece alguma obra de crítico? Você conhece alguma coisa que crítico construiu? Geralmente o crítico é um recalcado, que tem dor de cotovelo do sucesso dos outros. Então eu quero ser honesto, porque eu não tou preocupado com você. Eu tou preocupado sim com aquelas pessoas que ao ouvirem a Palavra de Deus, a fé pode ser produzida, porque a fé vem pelo ouvir, e o ouvir a Palavra de Deus. Ok? Tá certo assim?”

Não, Pr. Malafaia, não está certo assim. O revelamento do seu colega pastor-milionário fez com que muitos colocassem a fé não na Palavra de Deus, mas no poder da barganha com Deus, onde os que têm condições podem pagar para conseguir suas unções mágicas, e onde os que nada ou pouco têm acabam frustrados por saberem que nunca poderão participar da divisão das riquezas por lhes faltarem R$ 900,00. O que o sr. chama de “Palavra de Deus” nada mais foi do que a palavra de um homem acostumado a esvaziar as carteiras dos fiéis com sua oratória. O sr. acha que faz muito por ter um programa de tevê, que promove seus produtos e palestras, mas o sr. faz muito para SI MESMO, achando que está fazendo para o Reino de Deus. Muitos críticos, creia, fazem mais pelo Reino apenas denunciando esses e outros enganos. O sr. acha que quem o critica tem é inveja do seu sucesso, mas quem o critica deseja um sucesso diferente do que o sr. prega: ao invés do sucesso aqui-agora, o sucesso no Reino dos Céus, o sucesso de fazer a vontade do Pai e não o de precisar parecer próspero e bem-sucedido perante os homens. Infelizmente, muitos líderes evangélicos crêem que sucesso é ter riquezas, fama, reconhecimento humano, mas veja em sua Bíblia da Batalha Espiritual e Vitória Financeira o que Deus fala sobre isso (por favor, veja o que Deus fala, não as interpretações duvidosas do Pr. Morris Cerullo). O sr. diz não estar nem aí para os seus críticos, mas mesmo assim precisa explicar de forma totalmente distorcida a questão da “oferta voluntária” solicitada em seu nome, sinal que lá no fundo o sr. está preocupado com as críticas sim, e isso, a meu ver, é um ótimo sinal, pois onde há preocupação há, talvez, espaço para reflexão sobre os caminhos que estão sendo trilhados.

Que Deus continue levantando homens e mulheres que não se conformam com esse mundo, mas que sejam vozes de denúncia contra os sutis enganos que são colocados no ensino da Palavra. Quem está de pé, cuide para que não caia.